segunda-feira, janeiro 17, 2005

Dia 0 - 25/12/04

Domingo chuvoso em São Paulo. Primeiras férias depois de 3 anos de trabalho direto. Fila do cinema para assistir a ‘Doze Homens e um outro segredo’, quando nos perguntamos: vamos para o Chile?
Dois dias depois estávamos com as passagens na mão….

ps: publiquei o blog em ordem crescente de datas para ser como uma leitura de um diário de bordo.

domingo, janeiro 16, 2005

Dia 1 - 06/01/05 - Quinta Feira

Chegamos no aeroporto internacional de Santiago e assim que descemos do avião, pegamos um ônibus de linha que levava ao centro da cidade.
Ficamos na estação Terminal Alameda (Metro Universidad de Chile), na qual ficam os ônibus para o sul do País, nossa próxima parada, e mais especificamente a cidade de Osorno.
Os ônibus do Chile são muito bons, e existem sites para verificar rotas, distância e preços. Cada companhia de ônibus cuida de uma região do Chile, no nosso caso, , utilizamos a viação tur bus (www.turbus.com).

Descobrimos que havia passagens disponíveis, mas não sabíamos se havia disponibilidade de apartamentos no hotel. Então, ligamos para reservar um quarto, quer dizer, isso depois de uns 20 minutos para entender como funciona o cartão telefônico do Chile.
Conseguimos reservar (yess!) mas ainda havia um porém: o preço!
Eles haviam cobrado quase R$ 400 para que a gente ficasse somente uma noite, e ai veio a primeira lição: no Chile, a temporada é mooooito mais cara, quase 100% a mais (hotel, passagens de ônibus, etc.), portanto, uma boa dica para viajar beeem mais barato é ir na baixa temporada.

Ahhh, pequena recapitulação:
Terça-feira, dois dias antes da viagem, fomos no bar Osteria, e bebemos e fumamos charuto até 1 da manha. Conclusão: na hora de pagar, peguei o cartão de credito de um amigo.

Voltando a Historia:
Na hora da reserva pediram o numero do cartão e.... percebi que outro nome estava impresso nele… só faltava ser preso por falsidade ideológica no Chile... Principalmente, porque antes de ir viajar, alguns amigos relataram algumas experiências adversas no Chile... (um foi roubado, o outro foi parado por carabineros, ou seja, experiências pré-viagem para ficar ligado em alguns possíveis problemas)

Antes de ir para Osorno, fomos passear pela cidade e a primeira parada foi no Mercado Central comer a tal da Centolla, é um caranguejo gigante (king crab), mas que custa uma fortuna, acho que pagamos quase R$200 pela meia porção (que já era muito gigantesco), dá uma olhada na foto:


Centolla no mercadao

E é muito bom! Mas muito caro….
Aproveitamos para ir em uma exposição de fotos do grande Henri Cartier-Bresson, no Museu Nacional de Belas Artes, a exposição é muito legal, traz uma pequena parte do trabalho e te deixa maravilhado com as lentes da Leica e de seu olhar.


Museu de Bellas Artes

Neste momento estávamos meio cansados…


Alberto cansado no primeiro dia

Na frente do Museu, tem um parque, que paramos para descansar. O clima nas sombras estava fresco e agradável, e havia varias pessoas por lá, e isso acontece de uma maneira geral no Chile: as pessoas vão aos parques, se sentam e ficam a conversar.


Uma pausa para descansar

Nós acabamos tirando uma soneca, porque o cansaço tava meio forte… eheheh
Com a sobra do tempo que nos restou, caminhamos pelo centro e comemos no Burger King, como andamos o dia inteiro, estávamos com muuuita fome, olha o tamanho do sanduíche que a Emmy comeu (nunca vi ela comer um sanduiche desse tamanho):


Burger King!!!!!

Depois fomos para a rodoviária para esperar o ônibus sair.


Foto de uma parede perdida em Santiago

Dia 2 - 07/01/05 - Sexta feira

A viagem até Osorno foi de 11 horas, mas como tínhamos andado muito em Santiago, dormimos praticamente a viagem inteira. Os ônibus no Chile tem a opção de café da manha, mas na minha opinião, o preço não vale.
Quando chegamos, sentimos a diferença, a temperatura tinha caído uns 7 graus e estava por volta 20C.

Da rodoviária de Osorno deu para perceber uma outra diferença de Santiago, mas por ser uma cidade menor, as pessoas tem mais calma com o seu portunhol e mais paciência para responder suas perguntas. Cruzamos a rua para pegar o microônibus para Aguas Calientes, bem no meio dos Andes, ao pé do vulcão Santa Clara.

Detalhe: consegui fazer a Emmy ficar se banho por um período maior de 24 horas!!
Essa viagem Osorno-Aguas Calientes demorou quase 1:30 mas finalmente chegamos ao hotel, que na verdade, são cabanas!


Hotel Termas Aguas Calientes

E já fomos fazer o Arborismo, que aqui no Chile se chama Canopy, derivado de Canópia. Também conhecemos um guia brasileiro, o Ike, e outros chilenos, todos gente boa.


Canopy no Parque Nacional de Puyehue


Emmy, Alberto, Ike

O Arborismo é bem legal, segundo a Emmy um pouco diferente do Brasil, porque no Chile você tem um ‘freio’ que controla a sua velocidade e também a direção. Outra coisa diferente é que são 8 plataformas e todas interligadas com tirolesa, portanto, é só deslizar e aproveitar a paisagem, enquanto que no Brasil, em muitos lugares, existem algumas barreiras naturais.


Na plataforma com o guia


Emmy na tirolesa


Alberto fazendo tiroleza

Como o controle do freio é do próprio usuário, em alguns casos é possível que nao se chegue na plataforma, e então, deve-se virar e ir de costas:


Emmy se puxando até a plataforma


Isso aconteceu algumas vezes, porque o Ike falava para ir devagar para aproveitar a paisagem, que aliás é animal, e assim, nem sempre conseguíamos chegar na plataforma seguinte.

O circuito passa duas vezes acima do rio Chanleufu:


Rio Chanleufu


Emmy passando sobre o rio


Alberto passando sobre o rio

Depois de fazer o Canopy, só relaxamos no hotel. Como ele fica ao pé de um vulcão e o magma fica a apenas 4 Km de profundida, as águas são realmente quentes. O rio é frio, mas brota água quente da terra!


Rio gelado e piscina aquecida

E o que acontece é que no meio do rio frio, tem umas poças quentes nas quais a galera fica tomando um banho.


Banheiras termicas do vulcao no meio do rio

O hotel é bem legal, tem umas cabanas que cabem muitas pessoas, e quanto mais pessoas, mais barato. Cada cabana tem aquecimento a lenha e a gás (a noite é frio pacas!) e todo o aparato de cozinha (fogão, panela, pratos, talheres, etc.), assim, não é preciso comer nos caros restaurantes do hotel, podendo comer algo feito na cabana, que pode ser adquirido na pequena mercearia do hotel (o importante é que tem macarrão, molho, queijo ralado e vinho!).


Desayuno em puyehue na cabana


Foto interna do Chalé

Existem também duas piscinas, uma exclusiva do hotel e outra pública, na qual as pessoas pagam para ficar o dia inteiro por lá. O engraçado é que a água do rio Puyehue é gelada pois se origina no degelo da neve das montanhas, mas como se trata de uma região de vulcões, algumas partes brotam água quente, que são deslocadas para as duas piscinas.


Aquecimento vulcânico ao lado da piscina


Piscina pública e aquecida

Ao lado do rio também existia um espaço para Pic Nic, ou seja, dá para passar um dia inteiro com várias coisas para se fazer.


Área de pic nic

Assim que chegamos no hotel, havia muitos insetos, que pareciam marimbondos gigantes, muito medo, mas segundo os guias, essa espécie só costuma aparecer no verão e em janeiro. Mas o fato é que esses bichos nos perseguiam…


Alberto tentando espantar os bichos


Meia hora depois, ainda tentando espantar os bichos

Existem outras utilidades para a água (como terapias especiais) e atividades no hotel, é só entrar no site (www.puyehue.cl ou http://www.termasaguascalientes.com/).

Dia 3 - 08/01/05 - Sábado

O dia começa….. com chuva!


Chalés num dia chuvoso

Como é uma área alta, não conseguimos fazer o hiking até o vulcão, pois as nuvens nao dissipavam, uma pena. A chuva era bem fina e resolvemos fazer uma caminhada por perto e fomos até um mirante. Obviamente, não deu para ver muita coisa.


Emmy no ‘mirador’

No caminho, também pudemos perceber a beleza do Parque Nacional de Puyehue, e da sua vegetação. Vimos árvores gigantescas no meio da trilha, com uns 30 ou 40 metros de altura e com troncos que precisariam de várias pessoas para rodeá-lo.


Árvores no Parque Nacional de Puyehue

Almoçamos e voltamos para Osorno, onde pudemos conhecer melhor a cidade.
Lá a Emmy começou a passar mal pacas, e aí vem um outro bom conselho: a maioria dos banheiros públicos não são de graça, portanto, quando encontrar um que não precise pagar, aproveite… tivemos que pagar por um banheiro dentro de um shopping (?!?!)
Como a Emmy não estava bem, demos um tempo em uma praça na qual estava sendo armado um palco para um showzinho de rock. Uma pena que o nosso ônibus saia as 20:50 e o show só começava as 21:30…
Enquanto esperávamos, vimos um carrinho com uma raiz que parecia cana; resolvi experimentar e o vendedor me deu sal para comer junto. Achei meio diferente…. É azedo, com sal realmente melhora, e tem várias fibras que não dá para comer. E naquela praça, várias pessoas estavam comendo aquilo.
Perguntei pro cara como se chamava ao que prontamente me respondeu: ‘Nalca señor’. Nossa, nunca vi mais gordo, alguém sabe o que é isso? Depois tirei uma foto do tiozinho, que se exibiu todo orgulhoso….


Tiozinho da nalca

Diga-se de passagem que estamos um pouco mal acostumados e que no Chile é possível ficar com asco de algumas coisas, por exemplo: o tiozinho não devia tá com a mão limpa, apoiou a Nalca no dedo e tirou uma lasca com uma faca. Quase todos os lugares tem esse ‘tempero especial’, os caras não usam luvas, e a Emmy ficou com cara de nojo, muito engraçado!

Pegamos o ônibus de volta para Santiago e quando o ônibus estava manobrando na rodoviária, vimos um DeLorian!! Ou melhor, um Citroen escrito DeLorian….
A foto ficou horrível, mas como fã de De Volta para o Futuro…


DeLorian

Dia 4 - 09/01/05 - Domingo

No meio da madrugada o ônibus quebrou e tivemos que esperar na beira da estrada por outro. No final se revelou um bom negócio, pois pegamos um ônibus de categoria superior! O que também significava que o café da manhã neste outro ônibus seria melhor, que acabou se confirmando.

Chegamos cedo em Santiago, por volta das 7:30 da manhã e descobrimos que o metrô só funciona a partir das 8 aos domingos! Procuramos um hotel e ficamos na famosa rua Paris, que é um lugar meio escondido, mas bem localizado e bem bonito.

Descansamos um pouco e fomos passear: andamos até o Museu Nacional, que eu recomendo como o primeiro lugar a ser visitado porque cobre uma boa parte da História do Chile, desde o seu descobrimento até o final do governo Allende.
No Museu, uma cena um pouco melancólica.... um senhor começou a falar inglês conosco, disse que gostava de ir para lá para explicar o conteúdo e treinar o inglês. Que potencial desperdiçado, né?!

Seguimos para Cerro San Cristóbal, que é um imenso parque metropolitano em uma montanha com diversas atividades.
No caminho, experimentei o meu primeiro cachorro quente chileno: é bom, e ele vem um molho de abacate, chamado Palta (que é utilizado em diversas comidas por lá)!


Hot dog do Alberto com palta

Para chegar ao cume do Cerro existem algumas possibilidades: de carro, táxi, bicicleta alugada, de bondinho, teleférico ou, a mais dolorosa, a pé. Além disso, existem dois caminhos, um saindo do norte e outro da parte leste, assim, decidimos subir pelo caminho mais curto (leste) de bondinho e descer a pé pelo mais comprido (norte) aproveitando o parque.

A vista é muito bonita com a Cordilheira dos Andes ao fundo da cidade, mas creio que as fotos falam melhor do que a escrita...


Vista de Santiago no Cerro San Cristóbal


Os dois lá em cima do Cerro


Santiago do Alto do Cerro


Emmy no parque


Alberto no Parque


Mais uma do Parque Municipal

Subimos de bondinho, mas descemos de a pé, e fomos vendo o que tinha no meio do caminho. Passamos por uma piscina publica de água azul límpida (que devido ao calor devia estar refrescante...), paramos várias vezes, inclusive em um Museu do Vinho, que funciona em conjunto com um restaurante, é um Museu interessante porque traz as regiões produtoras de vinhos e também diversos produtores.


Processo de fabricação no Museu do Vinho

Fizemos uma pequena degustação por lá, mas aviso que é meio caro, e cada vinho é pago separadamente.


Degustação de vinho

Depois do museu, ainda havia pelo caminho um Jardim Japonês, um parque para crianças e várias áreas verdes para descanso, mas não visitamos mais nada. A descida, incluindo as paradas, demorou quase 3 horas e termina no lado norte de Santiago.

Voltamos a pé para o hotel e não tivemos mais força para sair de lá, pois estávamos acabados!!! Só saímos mais uma vez a noite para comprar água, mas é difícil achar água sem gás por lá, tanto que ao encontrar, a atendente avisou duas vezes: ‘tem certeza que vocês querem essa água? É sem gás!’

Dia 5 - 10/01/05 - Último dia

Esse dia era curto, e assim, planejamos uma visita rápida na vinícola Concha y Toro, que está localizada nos arredores de Santiago, o site dá maiores explicações de como chegar lá bem com reservas on-line e preços (ver www.conchaytoro.cl).

A visita é bem legal, não é muito cara, e dá direito a degustação enquanto você anda e ouve as explicações do guia a despeito da origem e das propriedades do vinho. Claro que não vou colocar todas as informações por aqui para não estragar a visita de quem for, mas posso garantir que é um lugar muito agradável.


Entrada da Concha y Toro


Vinhas para o vinho Terrunyo Cabernet Sauvignon Concha y Toro


Emmy na concha y toro

E a Emmy ficou alegre antes da segunda taça (meninas, cuidado! São três taças de vinho para degustação durante a visita). O guia perguntou se estava tudo bem e o Alberto disse que a Emmy já estava 'borracha'!!!


Algumas explicações sobre os vinhos

A primeira degustação é um branco Chardonnay.


Chardonnay

O segundo é uma mistura com maior parte de Merlot (70% + 15% Carmere + 15% Cabernet Sauvignon).


Trio com predominância de Merlot

E termina-se com uma terceira mistura do Cabernet Sauvignon.


Explicou-se a diferença entre o barril de carvalho francês e o americano

A visita termina nas caves da vinícola, que tem a temperatura controlada (perto de 15C) e onde, originalmente, ficava o Casillero Del Diablo (cujo guia esclarece a razão do nome), a primeira adega da vinícola.


Caves da Concha y Toro


Primeira cave da Concha y Toro - Casillero del Diablo

O mais engraçado dessa visita foi um brasileiro maluco que falava coisas insanas, como quando o guia perguntou o que estávamos achando do vinho (se tínhamos gostado ou não) e ele começou a fazer uma análise para terminar com a frase: ‘bouquet intenso, parece amêndoas acarvalhoadas com notas de chocolate’. Manos, quase caí na risada, o cara se achava, mas acho que ele tava mesmo é chapado...


Felicidade do Alberto escolhendo vinho


Séráááá que o Alberto gostou do vinho?


Casillero del Diablo!!!

De lá, fomos para o aeroporto, de onde embarcamos para o Brasil e terminarmos essas agradáveis férias no Chile, um país que esperamos visitar novamente (mas em baixa temporada para pagar mais barato!)

Até a próxima!